quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Um desabafo quando ainda estávamos em greve...

Companheiras, companheiros, alunas e alunos.

Estamos novamente em GREVE, pois mais uma vez um governo diz que a educação é prioridade, e mais uma vez isso é mentira. A educação pública hoje está agonizando, está passando por um dos momentos mais delicados desde que comecei a lecionar. Hoje no estado teremos salas climatizadas com ar condicionado, teremos computador em sala de aula, nunca tivemos tão bem “equipados”, mas e daí...Será que é disso que a educação precisa? Só no mês de agosto foram quase 1000 exonerações em todo o estado do Rio, fora os abandonos que não entraram nessa estatística. Porque isso acontece? É lamentável ver professores adoecendo em sala de aula, não digo as doenças mais conhecidas como problemas de garganta, LER, alergias, etc. Estou falando de um problema muito mais sério, que é o abandono, o descaso, o “empurrar com a barriga”, o “não tô nem aí” por parte de muitos professores, muitos mesmo... Esses professores esquecem que eles estão formando cidadãos, que eles são espelho para muitas crianças e adolescentes, tudo que eles falam e fazem são codificados de alguma forma por eles. O que me deixa mais triste é que por muitas vezes são professores excelentes nas escolas particulares, mas na pública... E não venham me dizer que é só por conta dos baixos salários que eles fazem isso, infelizmente não é, pois muitos fazem isso na prefeitura de Angra também, e nas escolas particulares que pagam menos, eles trabalham “direitinho”. Por isso tudo é que entendo que o baixo salário serve muito como desculpa para muitos “professores”, não bastaria só aumentar os salários da categoria, o trabalho seria muito mais árduo, primeiramente o professor tem que ter compromisso com a educação pública. Por que o filho do trabalhador não tem direito a mesma aula que o filho de quem pode pagar uma escola particular, se o professor é o mesmo? Isso vem acontecendo a muito tempo, e essa foi uma das razões que me fez optar em trabalhar somente na escola pública, mesmo sabendo que financeiramente não seria muito bom... Confesso a vocês que estou muito desanimado, a maioria dos professores novos não tem esse compromisso e os mais antigos estão “doentes”, cansados, “chutando o pau da barraca”...E com muitos motivos para isso, é verdade.

Voltando a nossa situação hoje, a GREVE. Vale lembrar que em lugar nenhum do mundo os trabalhadores conseguiram alguma vantagem sem lutar, e muitas vezes com muito sangue e com muitas vidas. Esse ano conseguimos manter os 12% entre os níveis, que conseguimos com uma GREVE passada, é pouco, mas foi duro, se não fosse aquele ato na ALERJ, não conseguiríamos. Aquela terça-feira dia 8 de setembro, deveria estar marcado na mente de todos os trabalhadores da educação. Eu achava que assim que todos os professores e professoras soubessem do acontecido, iriam paralisar suas atividades, num ato de SOLIDADRIEDADE aos companheiros que estavam lá lutando, apanhando, sendo feridos e correndo risco de vida por TODOS os profissionais de educação do estado. Mas isso não aconteceu, fiquei decepcionado com isso, me deu uma revolta muito grande ver nos dias seguintes ao ocorrido “professores” trabalhando normalmente, como se nada tivesse acontecido. Considero que esse fato, por se só, marcou muito essa GREVE. Na minha opinião, o problema não é só da “categoria”, é do ser Humano, isso me preocupa muito, pois hoje palavras como SOLIDARIEDADE, COLETIVIDADE, AMOR AO PRÓXIMO, me parece que estão saindo do dicionário de muitas pessoas... O professor deveria estar na vanguarda de todos os movimentos, ele é o único que tem o poder de formar cidadãos, de mudar a cabeça desses jovens que estão cada vez mais perdidos, mas não tem feito isso, ele, o professor, tem apenas reforçado o senso comum, que a mídia já faz a tanto tempo.



Um forte abraço! Hasta siempre!
Américo

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